Para total desespero do senador José Agripino Maia, presidente nacional do Democratas, a governadora Rosalba Ciarlini "dilmou". É o que se depreende das últimas declarações da chefe do Executivo estadual.
Rosalba passou a respeitar abertamente o governo da presidente Dilma Rousseff. O apoio político ainda não é explícito, mas a governadora já concede entrevistas para dizer que recebe "tratamento republicano" da presidente Dilma.
Foi esse o tom da entrevista que ela deu ao jornal Folha de São Paulo porque se negou a participar de programa nacional do DEM marcado por críticas à presidente Dilma Rousseff.
Rosalba dilmou ou não dilmou? Dilmou, claro.
Antes dessa entrevista a Folha, Rosalba Ciarlini havia declarado ao jornal potiguar Tribuna do Norte que pode votar na reeleição de Dilma Rousseff. "Por que não?", indagou ela.
A mim, dia desses no rádio, ela repetiu a mesma coisa e justificou: "Vou votar naquilo que é melhor para o país". Rosalba deu a entender que Dilma é melhor para o país.
E o Democratas de José Agripino não é não, governadora?
Me parece que não. A parceria histórica entre o senador José Agripino Maia e o casal Carlos Augusto e Rosalba não vive um bom momento.
Há um clima de desconfiança de parte a parte e políticos ligados a Rosalba e Carlos Augusto, como Betinho Rosado e Fafá Rosado, se movimentam para abandonar o DEM.
Betinho Rosado, Fafá Rosado e Leonardo Nogueira, marido de Fafá, só não deixaram o DEM por causa da fidelidade partidária. Nos casos de Betinho e Leonardo, respectivamente deputado federal e deputado estadual, eles podem perder o mandato.
Já Fafá Rosado pode fazer o que bem entender da vida porque está sem cargo pública. A ex-prefeita de Mossoró já estuda três propostas de filiação - PR, PP e PMDB.
A pergunta não quer calar: O que é que está havendo com o DEM no Rio Grande do Norte, a ilha de representação política do partido?
Respondo: Está acontecendo o mesmo fenômeno que ocorre no restante do país: o Democratas está definhando. Foi dizimado em dois governos de Lula e um de Dilma.
O DEM - ex-Arena, ex-PDS e ex-PFL - está morrendo de inanição política. O partido liderado por José Agripino sempre floresceu na sombra da árvore do poder. E esta árvore secou para o DEM há mais de dez anos.
Nenhum partido com o DNA político do DEM sobrevive sem os nutrientes da velha política - cargos e verbas públicas.
Eu já ouvi de gente importante do Democratas:
- Se Rosalba tivesse a oportunidade de uma janela partidária, ela trocaria o DEM por um partido da base de apoio à presidente Dilma.
E é isso mesmo. Rosalba evita criticar a presidente e pode apoiar sua reeleição por um motivo simples: nenhum governador consegue administrar sem a ajuda do governo federal. Nem o de São Paulo, locomotiva da economia nacional.
Muitas ações de governos estaduais dependem da boa interação com o governo federal. Afinal, a União fica com mais de 60% do bolo tributário e sobram encargos para Estados e municípios.
Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Quem manda é o governo federal, é a presidente da República.
Rosalba parece ter juízo, prefere obedecer ou, pelo menos, não contrariar a presidente Dilma Rousseff.
Cada um "dilma" como pode. No caso de José Agripino Maia, o senador prefere ficar à sombra do deputado Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados e aliado da presidente Dilma Rousseff. Melhor padrinho, impossível!
No minuto
Comentários
Postar um comentário